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Ética e CFMV

Fotos de pacientes nas redes: autorização do tutor e cuidados

Como usar fotos e vídeos de pacientes nas redes da clínica veterinária com autorização do tutor, respeito à legislação e às regras do CFMV.

Por Redação Marketing Veterinário Publicado em 5 min de leitura

O filhote de labrador na primeira consulta, a gata que voltou para casa depois da castração, o coelho que veio para o check-up anual. Fotos e vídeos de pacientes estão entre os conteúdos que mais aproximam a clínica veterinária dos tutores nas redes sociais. Eles mostram a rotina real, o carinho da equipe e a variedade de animais atendidos.

Mas cada foto envolve um animal que tem um tutor, e muitas vezes mostra também o próprio tutor, o nome do pet e detalhes do atendimento. Por isso, publicar imagens de pacientes exige alguns cuidados legais e éticos. Neste artigo, explicamos o que a regulamentação diz, por que a autorização do tutor é tão importante e como organizar esse processo sem complicar a rotina.

O que a Resolução CFMV nº 1.649/2025 diz sobre imagens

A Resolução CFMV nº 1.649/2025, que trata da publicidade na medicina veterinária, estabelece que o uso de imagens e informações de pacientes deve seguir a legislação. Isso inclui o Código Civil e, quando cabível, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Em outras palavras, a resolução não cria um formulário padrão nem detalha cada situação, mas deixa claro que o profissional precisa respeitar as leis que protegem a imagem e os dados das pessoas. Vale lembrar que o profissional responde eticamente pela publicidade como prestador, responsável técnico, proprietário ou diretor, e que conteúdo de clientes que ele compartilha ou republica passa a ser considerado conteúdo dele.

Para entender o conjunto das regras de publicidade, consulte nosso guia sobre publicidade veterinária e o CFMV.

Por que pedir autorização por escrito

A resolução não traz um modelo de termo. Ainda assim, como boa prática, recomendamos pedir autorização por escrito do tutor antes de publicar fotos ou vídeos do animal. Essa é uma recomendação nossa, não um texto da norma.

A autorização por escrito protege as duas partes. O tutor sabe exatamente onde e como a imagem será usada, e a clínica tem um registro claro caso surja alguma dúvida no futuro. Um "pode postar, sim" dito no balcão é facilmente esquecido, e o tutor pode não lembrar que concordou.

Esse cuidado é ainda mais importante quando:

  • O rosto do tutor ou de familiares aparece na imagem.
  • O nome do animal ou do tutor é citado na legenda.
  • O conteúdo mostra informações do caso, como diagnóstico ou tratamento.
  • A imagem será usada em anúncios pagos, e não apenas no feed.

O que incluir no termo de autorização

Um termo simples costuma ser suficiente. Para redigir a versão final, o ideal é contar com orientação jurídica. Em geral, é útil que o documento traga:

  • Nome do tutor e identificação do animal.
  • Quais tipos de conteúdo podem ser usados: fotos, vídeos ou ambos.
  • Onde a imagem pode aparecer: Instagram, Facebook, site, anúncios pagos, materiais impressos ou TV da sala de espera.
  • Se o nome do animal e o do tutor podem ser mencionados.
  • Se o tutor pode aparecer nas imagens.
  • A possibilidade de o tutor revogar a autorização e pedir a retirada do conteúdo.

O termo pode ser assinado no papel, na recepção, ou por meio digital, junto com a ficha de cadastro. O importante é que fique arquivado e fácil de localizar. Algumas clínicas incluem uma pergunta opcional no cadastro inicial, mas a autorização deve ser uma escolha livre, nunca condição para o atendimento.

Cuidados com o conteúdo das imagens

Ter autorização não significa que qualquer imagem possa ser publicada. A Resolução CFMV nº 1.649/2025 proíbe o sensacionalismo e a publicidade enganosa ou abusiva. Algumas orientações práticas:

  • Evite imagens de animais em sofrimento, feridos ou em procedimentos cirúrgicos.
  • Prefira momentos positivos: a chegada para a consulta, o colo na recepção, a saída do banho e tosa, o retorno após a recuperação.
  • Não use a imagem para sugerir resultados garantidos de tratamento.
  • Cuidado com fichas, prontuários, telas de computador e etiquetas de medicamento que apareçam ao fundo.
  • Não exponha dados de contato, endereço ou documentos do tutor.

Conteúdos do tipo "antes e depois" pedem atenção especial. Como esse tema não tem uma regra detalhada que possamos resumir aqui com segurança, a recomendação é agir com prudência e consultar o Manual de Publicidade do CFMV e o CRMV do seu estado antes de publicar.

Fotos enviadas pelos tutores e repostagens

Muitos tutores marcam a clínica em stories ou mandam fotos pelo WhatsApp agradecendo o atendimento. É tentador repostar tudo, mas lembre-se: conteúdo de clientes que o profissional compartilha ou republica passa a ser considerado conteúdo dele, segundo a resolução.

Isso significa que, se o tutor escrever na legenda algo como "o veterinário salvou meu cachorro, o melhor da cidade", a clínica, ao repostar, assume aquela mensagem como se fosse sua. Antes de compartilhar, avalie se o texto respeita as regras de publicidade e, se necessário, reposte apenas a imagem com uma legenda própria e equilibrada.

Depoimentos também se relacionam com a reputação online. Para orientações sobre como lidar com avaliações e comentários de tutores, veja o artigo sobre avaliações no Google.

Como organizar o processo na rotina da clínica

Para não depender da memória de ninguém, transforme o cuidado com imagens em um processo simples:

  1. Inclua a autorização no cadastro: ofereça o termo na primeira visita ou no envio da ficha pelo WhatsApp.
  2. Sinalize no sistema: marque no cadastro do paciente se há autorização e para quais usos.
  3. Defina quem fotografa: combine com a equipe quem pode registrar imagens e em quais momentos, sem atrapalhar o atendimento.
  4. Revise antes de publicar: confira se o tutor autorizou, se não há dados expostos e se a legenda está adequada.
  5. Atenda pedidos de retirada: se o tutor pedir, retire o conteúdo com rapidez e registre a solicitação.

Fotos de pacientes podem alimentar o perfil por meses, tanto no feed quanto em vídeos curtos. Se quiser ideias de como usar esse material, o guia de Instagram para veterinários traz sugestões de formatos.

Com autorização, bom senso e respeito ao tutor, as imagens dos pacientes continuam sendo um dos conteúdos mais humanos e eficientes da clínica, sem riscos desnecessários.

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